segunda-feira, 14 de março de 2016

Tema 1 (Anglo) > As conquistas e os obstáculos da saúde pública no Brasil.

             Criado a partir da Constituição Federal de 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS), surgiu com a finalidade de garantir o atendimento médico gratuito de qualidade para a população brasileira, ampliando o campo de atuação em todo o território nacional. Desde a sua implantação, é notória as evidências das conquistas estabelecidas pelo programa, decorrente dos altos custos investidos, assim como os entraves que ainda perpetuam durante esses anos, marcados principalmente pelas falhas na gestão dos recursos. Todo esse esquema, que não reproduz literalmente a proposta apresentada no fim dos anos 80, compromete o planejamento de saúde do país, o que exige melhorias concretas para o avanço do sistema.
            O Brasil conta com mais de seis mil hospitais credenciados no programa do SUS, mas, mesmo com os espaços em operação, problemas como escassez de leitos, falta de profissionais e carência de medicamentos básicos dificultam a universalização do atendimento em várias cidades. É dentro dessa ótica que aparece o descontentamento da população com a demora na realização de consultas, cirurgias, transferências e internações, fator no qual leva ao agravamento de pacientes nas filas e corredores hospitalares. Neste caso, é necessário pontuar que o atraso da atuação médica e da gestão administrativa pode levar a óbito indivíduos que deslocam à procura de algum pronto-socorro que possa oferecer um atendimento imediato e que também comporte a quantidade de doentes no local, situação bem distinta daquela esperada pela Constituição.
                  Outro ponto a ser ressaltado refere-se ao considerável desempenho da saúde brasileira na erradicação de doenças que antes eram consideradas uma ameaça ao bem estar da população. Porém, dados apesentados pela mídia na última década alertaram para o foco da regionalização ao acesso à especialistas da área em decorrência da remuneração recebida em cada estado. Devido a isso, o governo criou o programa Mais Médicos, que tem como principal objetivo levar profissionais, entre esses, estrangeiros, para municípios localizados em regiões do Norte e Nordeste, além de investir em novas vagas de graduação e residência nos cursos de Medicina e priorizar recursos financeiros do programa de financiamento estudantil (Fies) para áreas da saúde.
                  Em suma, com o intuito de amenizar os problemas atrelados ao atendimento público, algumas das possíveis soluções seria a maior fiscalização dos recursos financeiros repassados para os estados e municípios através do Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Fazenda, uma vez que o valor arrecadado é derivado do PIB brasileiro, evitando desvios de verbas destinadas à compra e manutenção de aparelhos e materiais hospitalares. Outra proposta seria a ampliação da construção de Unidades de Pronto-Atendimento (UPA's) em cidade que apresentam uma maior necessidade de sua presença devido à população absoluta, o que resultaria na diminuição das filas nos pronto-socorros. Ademais, a remuneração adequada aos profissionais da saúde nas regiões Norte do país ajudaria na fixação dos mesmos nos municípios mais pobres, atraindo mais médicos e amenizando a migração de outros para as áreas mais desenvolvidas do Sul e Sudeste do Brasil.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Caminhos da Reportagem


  1. INTOLERÂNCIA E FÉ NO BRASIL (Tema Enem 2016 - 1ª aplicação)
  2. ECOS DA ESCRAVIDÃO (Essencial para desenvolver o Tema Enem 2016 - 2ª aplicação)
  3. RACISMO NAS ESCOLAS  (Essencial para desenvolver o Tema Enem 2016 - 2ª aplicação)
  4. O NEGRO NO BRASIL  (Essencial para desenvolver o Tema Enem 2016 - 2ª aplicação)
  5. DESTA ÁGUA NÃO BEBEREI
  6. POBREZA NO BRASIL
  7. INDÍGENAS, A LUTA DOS POVOS ESQUECIDOS (Uma das minhas apostas para o Enem 2017)
  8. HOMOFOBIA, ATÉ QUANDO?
  9. NOVOS IDOSOS, VELHOS DESAFIOS (Uma das minhas apostas para o Enem 2017)
  10. PREVIDÊNCIA EM QUESTÃO *Muito importante para as Ciências Humanas
  11. MÃO DE OBRA ESCRAVA
  12. SOBRE ANIMAIS E DIREITOS
  13. ADOÇÃO
  14. AS CORES DA CIDADE 
  15. UM SONHO: A TERRA *Importante para as Ciências Humanas
  16. A ESCOLA NECESSÁRIA
  17. GOSTO AMARGO DO RIO DOCE
  18. VAMOS FALAR SOBRE A MÍDIA?
  19. DENGUE: A CADA VERÃO, UMA NOVA EPIDEMIA
  20. ZIKA: RELATO DE UMA EPIDEMIA
  21. DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS (Tema Enem 2016 - PPL: Presidiários)
  22. COMIDA PRA QUEM PRECISA (Essencial para desenvolver o Tema Enem 2016 - PPL: Presidiários)
  23. DEPRESSÃO, A DOR DA ALMA
  24. (IN) JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS 
  25. POR QUE O BRASIL É O PAÍS QUE MAIS MATA TRANSEXUAIS?
  26. AGROTÓXICOS
  27. DEZ ANOS DOS TRANSGÊNICOS NO BRASIL
  28. EX-PRESIDIÁRIOS EM BUSCA DE TRABALHO
  29. O NOSSO LIXO
  30. GÊNERO: DESAFIO DA VIDA MODERNA
  31. JOVENS INFRATORES
  32. DEPENDÊNCIA QUÍMICA
  33. PUBLICIDADE INFANTIL (Tema Enem 2014)
  34. EMPREGADAS DOMÉSTICAS
  35. NASCIMENTO DE BEBÊS NO BRASIL
  36. BIOTECNOLOGIA
  37. SOLIDARIEDADE
  38. VIDA ADAPTADA
  39. INCLUSÃO ESCOLAR
  40. DOPING, A ILUSÃO DO ESPORTE
  41. VIOLÊNCIA INFANTIL
  42. FEBRE DIGITAL
  43. REMÉDIOS: O PREÇO DA SAÚDE
  44. EXPLORAÇÃO SEXUAL
  45. BIOPIRATARIA
  46. ESCOLA=AFETO+CONEXÃO
  47. INTERNET E REDES SOCIAIS
  48. DEFICIÊNCIA E CIDADANIA: LUTAS E CONQUISTAS
  49. CRIME NA REDE: INTERNET COMPARTILHADA
  50. TRANSPLANTE - UMA CHANCE DE VIDA
  51. POPULARIZAÇÃO DA FOTOGRAFIA
  52. USO DE ARMAS DE FOGO NO BRASIL
  53. REFUGIADOS NO BRASIL
  54. NO LABIRINTO DAS DROGAS
  55. ANABOLIZANTES
  56. ACIMA E ABAIXO DO PESO IDEAL
  57. LEITURA

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Princípios da Sociologia

Segundo Augusto Comte, fundador do Positivismo, a sociedade é como um corpo doente que possui problemas sociais que precisam ser sanados a partir da ciência gerando o progresso. A ciência humana da sociedade seria a Sociologia.

O surgimento da Sociologia se encaixa no contexto da Revolução Industrial, Iluminismo, Revolução Francesa e a tradição filosófica empirista e racionalista. A sociologia é uma resposta às transformações ocasionadas por essas revoluções.

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Etnocentrismo

Pensar a própria cultura como superior às outras, considerando-as repugnantes. Pensamento que gerou a política Imperialista. Nenhuma cultura é superior ou inferior à outra. Nenhuma pessoa tem mais cultura do que outra. Nenhuma pessoa é aculturada. 

Direitos Humanos

1ª Geração: Políticos e Civis

Quando? Iluminismo e Revoluções Burguesas
O que são? Direitos Naturais e Universais (Vida, Liberdade, Igualdade apenas Jurídica, Propriedade) e Direitos Políticos (Participação Política)
Limites: Não estendiam esses direitos aos negros, aos asiáticos, e outros grupos. Não estendiam a povos de outros continentes, como populações mais pobres. Não havia para a maior parte dos iluministas de que poderíamos pensar em uma igualdade social, por isso focavam na igualdade jurídica.

2ª Geração: Sociais

Quando? Pós-Revolução Industrial - Pensamento Socialdemocrata e Socialista
O que são? Direito à Educação, Saneamento Básico, Saúde, Transporte, Renda Mínima. 

3ª Geração: Minorias e Natureza

Quando? Movimentos sociais ligados a identidade (Negro, Feminista, Gay, Indígena) e Grupo Bolivariano (Equador e Bolívia).
O que são? Direitos da Natureza (Pacha Mama), Direitos Indígenas (Estado Plurinacional), Direito dos Animais, Movimento Negro, Movimento LGBT, Movimento Feminista. 

"Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades." 

Boaventura de Souza Santos

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Filosofia > Período Socrático

O pensamento de Sócrates é um marco na constituição de nossa tradição filosófica, e pode-se dizer que inaugura a filosofia clássica rompendo com a preocupação quase que exclusivamente centrada na formulação de doutrinas sobre a realidade natural que encontramos nos filósofos pré-socráticos. A própria denominação "pré-socráticos" já reflete a importância da filosofia de Sócrates como um "divisor de águas". É nesse momento que a problemática ético-política passa ao primeiro plano da discussão filosófica como questão urgente da sociedade grega, superando a questão da natureza como temática central. 

Período Pré-Socrático --------------------- COSMOLÓGICO (Physis/Arkhé)

Período Socrático -------------------------- SISTEMA ANTROPOLÓGICO / ÉTICO (Nomos)

  • Tradição filosófica baseada em aspectos mais humanos, chamada de Nomos. 
"De onde nós viemos?"; "Quem somos nós?"; "O que é o conhecimento?"; "O que é a verdade?"; "O que é a sabedoria?". 
  • Ser sábio, para Sócrates, significa ser humilde perante o conhecimento e suas formas. Buscar a verdade mas sempre ter em mente que o ser humana nunca vai conquistar a verdade absoluta. 
"Só sei que nada sei" - Representação da humildade perante o conhecimento e o desejo de saber sempre mais. O seu conhecimento nunca será absoluto. Ninguém possui todo o conhecimento do universo.
 
Método Socrático
  1. Exortação: Convite aos discípulos para discutir algum tema.
  2. Indagação: Sócrates busca opiniões, e há a exposição de várias opiniões.
  3. Ironia: Momento que Sócrates "destrói" a opinião apresentada pelos discípulos a fim de mostrar que o indivíduo não entende completamente sobre o assunto.
  4. Maiêutica: Parto. Quando o indivíduo irá parir sozinho o seu conhecimento. O discípulo entrou na Exortação com uma opinião rasa, e está saindo com seus argumentos destruídos, ouvindo a opinião dos outros e tentando formular um novo conhecimento, chegando mais próximo da verdade. 
A Condenação de Sócrates
  1. Corromper a juventude de Atenas, fazendo essa parcela da população pensar e questionar a sociedade da época.
  2. Descrença nos deuses da cidade e disseminar essa visão entre os jovens, quando na verdade Sócrates questionava o poder dos sacerdotes e questionava as atitudes dos cidadãos.
  3. Agir contra a democracia.
Sócrates condenado a berber um copo de veneno frente a sociedade ateniense

Princípios da Filosofia

Palavras-chave:

Logos: (Lógica, razão)
Physis: (Física, natureza das coisas)
Arkhé: (Arqueologia, relacionada com a criação do mundo)

Para os Gregos, o trabalho era algo que deveria ser realizado somente pelos escravos, pois privava o tempo que os cidadãos da pólis tinham para pensar. Essa ideia sobre o significado do trabalho durou até a Idade Média e se modificou a partir das Reformas Religiosas.

Todas as ideias eram discutidas na Ágora por aqueles que eram considerados cidadãos, estabelecendo leis que contribuíssem para o desenvolvimento da pólis. 

O primeiro filósofo grego da história foi Tales de Mileto

Filósofos Pré-Socráticos

Tales de Mileto: Para o filósofo que viveu boa parte de sua vida no Egito, Tales entendia que a água está ligada aos processos da vida no planeta, ligada ao nascimento, à morte. Princípio Universal que mesmo ao se modificar, não perde a sua essência, assim como a água.

Anaximandro de Mileto: O princípio e a causa geradora do universo é o Apéiron. O Apéiron é ilimitado, indefinido, indeterminado, abstrato. O mundo todo é criado pelo movimento circular do Apéiron.

Pitágoras: Grande matemático, acreditavam que o princípio universal eram os números. Para Pitágoras os números eram entidades reais com natureza própria. Tudo em nosso universo tem medidas. O homem inventou a matemática, mas não os números, pois as medidas sempre existiram.

Demócrito: Grande sistematizador do atomismo, doutrina que acreditava que o universo, a physis, é formado por átomos. Átomo-Ideia: Indivisível, Invisível e Inteligível. 

Heráclito: Tudo muda o tempo todo. A mudança seria o arkhé do universo, o princípio que rege. Universo como um fluxo contínuo. "Ninguém entra no mesmo rio duas vezes, e quando você entra de novo, não é mais o mesmo rio". 

Parmênides: Nada muda. O Ser é, não pode não ser. O não ser não existe. As mudanças na verdade são uma ilusão. Nada muda na essência porque o princípio universal não pode ser modificado. A essência do universo não pode ter se modificado, caso contrário seria o não ser.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

História: Economia Mineradora

        A partir da União Ibérica, a situação de Portugal em relação à colônia brasileira alterou-se significativamente. A produção de açúcar caiu em mãos estrangeiras e, depois da expulsão dos holandeses, a concorrência internacional começou a pesar sobre a exclusividade de fornecimento do açúcar no mercado europeu. De modo semelhante, o tráfico escravo passou a ser controlado, em grande parte, pelos holandeses. 
     Uma das alternativas para alavancar a economia portuguesa, seria a pesquisa litorânea, propriamente dita, para verificar, não no litoral, mas nas vastas regiões interioranas, a existência de uma nova atividade econômica de resultados mais promissores para a metrópole.
        A notícia da descoberta de ouro e diamantes na colônia, tão esperada desde 1500, atraiu para a região das minas milhares de portugueses e colonos de outras regiões brasileiras, sobretudo do Nordeste. A população colonial passou de 300 mil habitantes no final do século XVII para 3,3 milhões no final do século XVIII.
       A ocupação e o povoamento da região mineradora, como o atual estado de Minas Gerais e, em seguida, Goiás e Mato Grosso, alteraram o caráter predominantemente rural da colonização, com o surgimento de diversas vilas e cidades.
        O desenvolvimento de um novo eixo econômico, deslocando as atividades principais da costa litorânea nordestina para o centro-sul, determinou a transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763.
           Em 1700, cerca de trinta mil aventureiros se encontravam na região, organizados em grupos liderados por caudilhos que, na ausência de um poder constituído, disputavam o poder e o controle sobre as áreas produtoras. Entre 1707 e 1709, um conflito, a guerra dos Emboabas (estrangeiros). confrontou, de um lado, os paulistas e, do outro, os forasteiros que chegaram de Portugal e de outras regiões da colônia, aos milhares. A derrota dos paulistas retirou de São Paulo a exclusividade de exploração mineral, frustrando os paulistas que a desejavam, e os impulsionou em direção ao Mato Grosso e a Goiás onde, anos depois, encontraram novas jazidas auríferas.
           
  • Destacava-se a importância das vias terrestres para o transporte dos minerais preciosos e abastecimento.
  • Foi nas margens do Caminho Novo (Estrada Real) que a Zona da Mata Mineira se desenvolveu.
  • Para facilitar o escoamento para o porto mais próximo, o Rio de Janeiro torna-se a nova capital da Colônia em 1763.
  • O governo português montou uma nova estrutura de governo, uma dessas iniciativas foi a Intendência das Minas, responsável pela distribuição das datas e organização das vilas. 
  • Foi também providenciada uma guarda especial para evitar tensões sociais.
  • As datas eram distribuídas aos mineradores através do sistema de arremates.
  • As datas eram diferentes das sesmarias de tamanho menor, não tinham como objetivo a ocupação de território como no caso das sesmarias.
  • Através da concessão das datas, o minerador era obrigado a promover a extração de metais preciosos e dar uma parte a El Rei.
  • Quinto: Imposto de 20% sobre o material extraído.
  • Todo ouro deveria passar pelas Casas de Fundição.
  • Compromisso de se atingir o valor mínimo de 100 arrobas anuais.
  • A partir de 1763 o ouro começa a escassear e o teto de 100 arrobas anuais começa a não ser atingido.
  • DERRAMA: Cobrança violenta do quinto, no qual moradores teriam suas casas invadidas pelas autoridades que retirariam qualquer bem material que pudesse ajudar a compensar o valor das arrobas anuais.
  • Foi num dia, marcado para a derrama, que ocorre a Inconfidência Mineira.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Escolas Literárias - Barroco (1601 - 1768)

"A palavra barroco adquiriu valor pejorativo nos meios humanistas da Renascença, que delas se serviam para se referirem desdenhosamente aos lógicos escolásticos e aos seus argumentos e raciocínios, considerando-os absurdos e ridículos. Um argumento in baroco, por conseguinte, significava um argumento falso e tortuoso e, segundo Croce, a expressão teria sido transferida para o domínio das artes, para designar um estilo que aparecia também como falso e ridículo." SILVA, Vítor Manuel de Aguiar.

Também conhecida como Seiscentismo, o Barroco permaneceu durante séculos atrelada à concepção pejorativa de uma arte irregular, afetada, repleta de ornamentos abusivos que comprometiam a sobriedade e a linearidade das formas plásticas e da clareza linguística. O Barroco veio "deturpar"a sobriedade, a geometrização e a precisão da arte renascentista, segundo a visão estética profundamente iluminista do século XVIII.

Renascimento:                                                     
"Passo do Hordo" - Aleijadinho
  • Linear
  • Plano
  • Forma fechada
  • Pluralidade
  • Clareza
Barroco: 
  • Pictórico
  • Profundo
  • Forma aberta
  • Unidade
  • Obscuridade
"A virgem do rosário" - Caravaggio

A oposição estilo linear x pictórico é percebida facilmente ao se contrapor uma tela renascentista a uma barroca. A primeira apresenta linhas, contornos para as figuras; já a segunda elimina as linhas e demonstra o espaço por meio da oposição claro-escuro das figuras. Isso contribui também para a segunda categoria apresentada, pois os quadros da Renascença empregam tons mais pastéis, uma palheta mais eufemista na elaboração de planos mais claros, horizontais e chapados; já os do Barroco são dotados de uma profundidade, sugerem com maior intensidade uma perspectiva por meio de cores mais intensas e do contraste da luz. O Barroco transborda o espaço da tela, extravasa a cena com diagonais que apontam para fora do que foi apresentado, o que leva o espectador a vislumbrar o que não foi pintado. Na tela renascentista, é possível separar uma figura das demais, o que é inviável no trabalho barroco, tendo em vista a multiplicidade e interação de planos. Quanto ao item claridade absoluta x claridade relativa, é fácil notá-lo na luz igualmente distribuída em uma tela renascentista e na luminosidade parcialmente representada para cada plano ou compartimento da obra barroca.

A proximidade do Barroco com a religiosidade medieval explica-se pelo fato de que a Igreja, consciente da perda de muitos de seus fiéis com a Reforma Protestante de Lutero, desejava recuperar e resguardar seu "império". Dessa forma, as artes, tanto a literatura quanto a pintura, tornaram-se o grande foco da Contrarreforma, que pretendia educar e moralizar os fiéis para que eles não se afastassem dos valores católicos. Desse modo, o Barroco passou a ser considerado como uma arte da Contrarreforma, justamente pelas qualidades de sua visualidade pictural, capaz de seduzir, convencer e converter o espectador. O Barroco também era empregado como uma arte catequética, que tinha o intuito de educar e de moralizar os "gentios" das colônias descobertas no século anterior. 

Os sermões de Padre Antônio Vieira são um belo exemplo dessa arte barroca dotada de uma intencionalidade cristã com o objetivo de se promover a edificação da fé por meio de uma linguagem elaborada, cultista e conceptista bem ao modo da época. O caráter cultista da linguagem barroca está no seu exercício lúdico e encantatório. Como o próprio nome indica, o cultismo é o culto à forma, ao rebuscamento, o que justifica o emprego de várias sofisticações linguísticas proporcionadas por algumas figuras de linguagem, tais como o hipérbato (que são as inversões sintáticas capazes de deixar o texto com um contorcionismo linguístico como se verifica nas estruturas espiraladas da arquitetura e da pintura), as aliterações, assonâncias e anáforas (que geram uma intensa musicalidade ao texto), a disseminação e o recolho  (que correspondem à repetição dos termos em um jogo sonoro e semântico). Entretanto, a linguagem não pode ser apenas cultista, pois senão ela não cumpre com a sua função persuasiva, será mero exercício oratório sem a capacidade retórica de envolver e seduzir. Para que isso ocorra, a linguagem  também deve ser conceptista, ou seja, explicar um conceito (uma ideia abstrata) por meio de uma imagem concreta. O conceptismo é construído, portanto, através de analogias, de comparações e de metáforas.

Um dos mais conhecidos e belos textos de Vieira é o Sermão da Sexagésima, pregado na Capela Real, em 1655, não para os homens comuns, mas para os próprios sermonistas. Neste texto, Vieira acusa os religiosos de não estarem mais convertendo ou sensibilizando os fiéis devido aos excessos cultistas dos sermões que estavam produzindo. Os sermões estavam retratando vários assuntos, com uma linguagem muito rebuscada, destinada ao público erudito, empregada apenas para os pregadores se promoverem, alimentarem o ego e a própria vaidade. Pregavam para si e não para os outros, acusa Vieira. 

Além do Padre Antônio Vieira, o outro grande nome do Barroco em língua portuguesa é o de Gregório de Matos, conhecido como Boca do Inferno.
A poesia de Gregório de Matos pode ser dividida em três grupos, a sacra, a amorosa e a satírica. Mas em todos eles é nítida a linguagem lúdica do poema, repleta de trocadilhos, ambiguidades, metáforas e antíteses, nem ao gosto do estilo barroco. Sua poesia consagrou-se pela riqueza típica dos sentimentos religiosos. 
Segundo o raciocínio barroco, cabe ao homem pecar e a Deus perdoá-lo pelos erros cometidos. Os vícios humanos são, assim, compensados com a benignidade divina. 
A poética amorosa de Gregório de Matos é marcada pela concepção mundana, carnal e efêmera da vida e dos relacionamentos amorosos. O carpe diem se faz constante em sua lírica, evidenciando na voz do eu poético que clama à amada pelo gozo físico, tendo em vista a fugacidade da existência.
A lírica filosófica  destacam-se textos que se referem ao desconcerto do mundo e às funções humanas.
A lírica religiosa obedece aos princípios fundamentais do Barroco europeu, fazendo uso de temas como amor a Deus, a culpa, o arrependimento, o pecado e o perdão, além de constantes referências bíblicas. 
Em alguns de seus poemas satíricos, a linguagem de Gregório de Matos aparece repleta de termos chulos. Boca do Inferno não se priva ou mesmo se sente censurado diante de tal autoridade. Pelo contrário, a sátira é o mecanismo pelo qual o poeta contesta e reivindica livremente todas as perseguições que sofria.

Barroco na arte: (principais) 
Caravaggio
Bernini
Aleijadinho
Manuel da Costa Ataíde